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Recurso em licitação: o que fazer depois dos lances (é aqui que se ganha)

Recurso em licitação: a janela da intenção, os 3 dias úteis das razões e das contrarrazões, os motivos que funcionam e quando vale a pena recorrer.

Geraldo JuniorGeraldo Junior8 min de leitura
Recurso em licitação: o que fazer depois dos lances (é aqui que se ganha)
Neste artigo
  1. Os lances são só o começo
  2. O que acontece depois dos lances, passo a passo
  3. Como funciona o recurso em licitação
  4. Os motivos que costumam sustentar um recurso
  5. Um caso real: o papel higiênico do Reinaldo
  6. Antes da disputa: esclarecimento e impugnação
  7. O que ninguém te conta: quando vale a pena recorrer
  8. Erros comuns depois dos lances

Recurso em licitação é o pedido formal pra revisar uma decisão do pregoeiro depois que ele declara o vencedor. Você registra a intenção de recurso no sistema, numa janela curta logo após o resultado, e depois tem 3 dias úteis pra mandar as razões. O concorrente tem outros 3 pra responder, e o pregoeiro decide. Parece burocracia, mas é nessa fase, junto com a habilitação, que muita licitação é decidida.

"Licitação a gente ganha no acompanhamento das propostas e na habilitação."

A disputa de lances é só o começo. Hoje eu te mostro tudo o que acontece depois dela.

Os lances são só o começo

Deixa eu te contar uma coisa que surpreende quase todo aluno. Nos pregões que eu ganhei, eu quase nunca terminei os lances em primeiro. Fico em terceiro, quarto, quinto. Aí as empresas da frente vão caindo: proposta errada, documento vencido, prazo perdido.

Num pregão recente, eu estava em quarto lugar. Foram 11 dias acompanhando até ser chamado. E a maioria não tem essa paciência. Pela minha experiência, 90% não acompanham os pregões e as dispensas até o final.

Olha o que aconteceu com um aluno no pregão das cafeteiras do Senado:

Depoimento de aluno do Geraldo Junior

Ele não ganhou nos lances. Ganhou porque ficou até o fim.

O que acontece depois dos lances, passo a passo

Anota aí a ordem. Ela é quase sempre a mesma no pregão eletrônico.

  1. Análise da proposta. O pregoeiro, com a comissão, olha a proposta de quem arrematou os lances. Produto certo, preço aceitável, tudo conforme o edital.
  2. Habilitação. Passou a proposta, ele analisa os documentos: certidões, balanço, atestados. Se o primeiro cair, ele chama o segundo, e assim por diante.
  3. Convocação. Quando chamarem você, o prazo pra mandar os documentos costuma ser de 2 horas. Alguns editais dão até 24 horas. Se precisar de mais tempo, peça a prorrogação antes de o prazo vencer. Os pregoeiros costumam aceitar.
  4. Declaração do vencedor. Tudo certo, o pregoeiro declara o vencedor e abre a janela da intenção de recurso.
  5. Recurso, contrarrazões e decisão, se alguém registrar a intenção.
  6. Adjudicação e homologação. O setor jurídico do órgão analisa o processo inteiro, desde o começo. Estando limpo, homologa e publica no diário oficial.
  7. Contrato e empenho. Depois disso vem o prazo pra assinar o contrato e receber o empenho, em geral de 5 dias úteis. Só entregue depois de ter o empenho na mão.

Quem não tem a pasta de documentos pronta perde no passo 3. Duas horas passam rápido. Deixe tudo organizado antes, do jeito que eu explico no artigo de documentos para licitação.

Como funciona o recurso em licitação

É o momento de levantar a mão e dizer: isso aí não está de acordo, bora rever. Pode ser porque o pregoeiro tomou uma decisão errada, porque o procedimento saiu da lei ou porque uma empresa mandou documento errado e ninguém percebeu.

1. A intenção de recurso

Logo depois de declarar o vencedor, o sistema abre uma janela curta, que em geral vai de 10 a 30 minutos. Nos pregões mais recentes que eu acompanho, tem sido de 10 minutos. Tudo pelo sistema: tem um botão embaixo da proposta, você clica e avisa que a sua empresa tem a intenção de recorrer. Não é e-mail, não é telefone.

Algumas plataformas pedem o motivo resumido já nesse momento. Se você não estiver acompanhando naquela hora, a janela fecha sem você.

2. As razões: 3 dias úteis

Registrada a intenção, você tem 3 dias úteis pra mandar o recurso completo. É um documento simples, no Word, com o nome da sua empresa, o que você acha errado e o fundamento na lei. Nada de palavras ao vento. Se o argumento é preço, anexe planilha de custo e orçamentos.

3. As contrarrazões: mais 3 dias úteis

A empresa que você questionou tem outros 3 dias úteis pra se defender. Isso se chama contrarrazão.

4. A decisão

O pregoeiro, ou a comissão, dá o veredito por escrito e explica o motivo. Se acatar o seu recurso, elimina a empresa questionada e analisa a documentação da próxima. Se não acatar, segue o processo.

Em licitações maiores, que envolvem mais dinheiro, ainda existe o mandado de segurança. Aí é na justiça comum, um juiz decide, e tem custo pra protocolar.

Olha como eu explico essa fase numa das aulas:

A fase de recurso no pregão eletrônico

Os motivos que costumam sustentar um recurso

Recurso bom tem fato e tem lei. Estes são os casos que eu mais vejo:

  • Documento errado ou vencido do concorrente, que passou batido pelo pregoeiro.
  • Produto diferente do edital aceito. Se você cotou o que o edital pedia e o concorrente ofereceu outra coisa, aceitar isso fere a competitividade e a vinculação ao edital.
  • Preço com indício de inexequibilidade. Pra produto, lance abaixo de 50% do valor estimado. O pregoeiro deveria fazer diligência e pedir planilha. Se não fez, você pode recorrer citando a Lei 14.133, e mandar dois ou três orçamentos do mesmo produto mostrando que aquele preço não fecha.
  • Exigência do edital que não foi cobrada de determinada empresa.
  • Exigência que não existe no edital usada pra te tirar da disputa.

Um caso real: o papel higiênico do Reinaldo

O Reinaldo, meu aluno de Natal, disputou um fornecimento de papel higiênico. Eram 20 fardos de 64 rolos, em quatro entregas. Ele achou uma distribuidora que vendia o fardo a R$ 72 com entrega grátis, e o lance dele chegou a R$ 100, com uma lucratividade perto de 28%.

Aí o pregoeiro pediu que ele comprovasse estoque do produto antes de fechar.

Com o Agente GERA, ele respondeu citando a lei: esse tipo de diligência só cabe quando existe indício de preço inexequível, e não era o caso, porque o preço dele não estava abaixo da metade do estimado. Além disso, a exigência nem estava no termo de referência.

Mesmo assim, ele foi desclassificado. Cabia recurso. Mas ele fez a conta: cada entrega daria uns R$ 600 de lucro, num produto barato. Decidiu não brigar.

E essa também é uma decisão certa. Recurso é ferramenta, não é orgulho.

Antes da disputa: esclarecimento e impugnação

Muita briga de recurso nasce de um edital que ninguém questionou antes. Por isso você tem duas ferramentas antes da sessão:

  • Pedido de esclarecimento: quando algo no edital está confuso. Na regra que eu sigo, vai até 2 dias úteis antes da sessão.
  • Impugnação: quando o edital tem algo errado ou fora da lei que te prejudica. Por exemplo, um erro que te impede de precificar, ou uma exigência de atestado de capacidade técnica acima dos 50% que a lei permite. Vai até 3 dias úteis antes.

O dia da sessão não conta. Confira sempre o prazo exato no próprio edital. E faça tudo por e-mail formal, com o CNPJ da empresa e o número do processo. Combinado por telefone ou WhatsApp não existe, porque não fica registrado. O órgão é obrigado a publicar a pergunta e a resposta.

Pra impugnar, você não precisa de advogado. Um modelo bem feito resolve.

O que ninguém te conta: quando vale a pena recorrer

Recurso dá trabalho. Você pesquisa, escreve, junta prova. Então só vale a pena quando é algo muito concreto e quando a vaga cai pra você. Se você ficou em segundo e o primeiro tem um erro claro, vai. Se você ficou em sétimo e o erro é duvidoso, provavelmente não compensa.

Pra quem está começando, o foco é outro: participar, executar, ganhar prática. O recurso é uma parte mais profunda do jogo. E quando a empresa é nova, contar com um advogado pra dar o fundamento legal ajuda a não escrever palavras ao vento.

No L360 você recebe os modelos editáveis de esclarecimento, impugnação e recurso, e o Agente GERA, a IA treinada na lei de licitações, pra escrever com os artigos certos.

Erros comuns depois dos lances

  • Sair do sistema quando cai pra quarto lugar.
  • Perder a janela da intenção de recurso.
  • Registrar a intenção e não mandar as razões no prazo.
  • Recurso sem base na lei, só com opinião.
  • Documentos fora da pasta quando o pregoeiro convoca.
  • Tratar tudo por telefone com o órgão, sem nada por escrito.
  • Ver o erro no edital e ficar calado, pra reclamar só depois do resultado.

Acompanhe até o fim. É lá que o dinheiro aparece. Bora faturar!

Perguntas frequentes

Qual o prazo para entrar com recurso em licitação?

A intenção é registrada no sistema numa janela curta logo após a declaração do vencedor, em geral de 10 a 30 minutos. Depois você tem 3 dias úteis pras razões, e o concorrente outros 3 pras contrarrazões.

Quem pode entrar com recurso na licitação?

Qualquer licitante que discorde de uma decisão do pregoeiro pode registrar a intenção de recurso no sistema, dentro da janela.

Precisa de advogado para fazer recurso em licitação?

Não é obrigatório. Mas pra empresa nova, a ajuda de um advogado no fundamento legal deixa o recurso mais forte. No mandado de segurança, que vai pra justiça comum, aí sim entra advogado.

Qual a diferença entre impugnação e recurso?

A impugnação é feita antes da sessão, contra o edital. O recurso é feito depois do resultado, contra uma decisão tomada no pregão.

O que acontece depois que o recurso é julgado?

O pregoeiro dá o veredito, o processo é adjudicado e homologado, e o resultado sai no diário oficial. Aí vem a assinatura do contrato e o empenho.

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Geraldo Junior
Geraldo Junior

Vende para o governo desde 2014. O primeiro contrato foi aluguel de carros pro Corpo de Bombeiros de Alagoas, renovado por 10 anos. Hoje ensina pequenas empresas e MEIs a vender para prefeituras, estados e órgãos federais no L360.