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Empenho: o que é e por que ele garante o seu pagamento do governo

Entenda o que é empenho, as 8 fases do edital ao Pix, os prazos reais de pagamento do governo e a regra que evita calote: nunca entregue sem ele.

Geraldo JuniorGeraldo Junior8 min de leitura
Empenho: o que é e por que ele garante o seu pagamento do governo
Neste artigo
  1. O que é empenho, na prática
  2. As 8 fases: do edital ao Pix
  3. Por que o governo não dá calote (quando você faz certo)
  4. Quanto tempo o governo leva pra pagar
  5. Atraso não é calote
  6. O empenho também vale dinheiro antes da entrega
  7. Erros comuns com o empenho
  8. Sua tarefa de hoje

Empenho é o documento que o órgão público te manda depois que você ganha a licitação e assina o contrato. Ele mostra que o dinheiro do seu pagamento já está separado e reservado pra você. Com o empenho na mão, tomar calote do governo fica muito difícil. Sem ele, você está sem garantia nenhuma.

A pergunta que eu mais recebo é "e se o governo não pagar?". Eu vendo pro governo desde 2014 e te digo: a resposta fica clara quando você enxerga o caminho inteiro do dinheiro, do edital até o Pix. Então anota aí.

O que é empenho, na prática

Pensa assim: antes de abrir uma compra, o órgão faz o planejamento. Nessa etapa ele não decide só o que vai comprar. Ele também orça e separa o valor que vai ser gasto com a empresa vencedora. Quando a licitação termina e o contrato é assinado, esse dinheiro separado vira um documento com o seu nome: o empenho.

Daí vem a palavra. O dinheiro está empenhado, guardado, reservado pra aquela despesa.

Alguns detalhes que pouca gente te conta:

  • O empenho chega, geralmente, por e-mail, em PDF.
  • O órgão é obrigado a te mandar. Não é favor.
  • Quando é produto, o documento é o empenho. Quando é serviço, pode vir também uma autorização de fornecimento (ou ordem de serviço) junto.
  • Todos os prazos do contrato contam a partir do empenho. Não da assinatura, não do resultado da disputa.

Esse último ponto muda tudo. Se o edital te dá 20 dias pra entregar alimentos numa escola, esses 20 dias só começam quando o empenho chega na sua caixa de e-mail. Se ele não chegou, o seu prazo não está correndo.

As 8 fases: do edital ao Pix

Toda compra pública segue um rito que está na lei. Pra ficar fácil, pensa numa escola municipal que precisa de merenda:

  1. Necessidade. A escola percebe que os alunos precisam de merenda.
  2. Solução. O órgão decide se compra os alimentos ou contrata uma empresa que já prepare tudo. É aqui que ele também orça e separa o dinheiro.
  3. Edital. Ele escreve as regras: o que quer, quanto, prazo, local de entrega, forma de pagamento.
  4. Publicação. O edital é divulgado. É aqui que você entra.
  5. Disputa. Você cadastra a proposta, dá o lance e envia os documentos.
  6. Contratação. Você assina o contrato e recebe o empenho.
  7. Execução. Você entrega o produto ou começa o serviço.
  8. Pagamento. O dinheiro cai na sua conta, à vista.

As três primeiras fases são internas. Você não vê. Você só fica sabendo da compra quando o edital sai. Mas repara: quando o edital chega até você, o dinheiro já foi pensado lá atrás.

Olha como eu explico essa parte do empenho numa das aulas:

Nunca entregue antes do empenho

Por que o governo não dá calote (quando você faz certo)

Desde 2017, com as regras da Lei Orçamentária Anual, a compra pública já nasce com orçamento. O dinheiro é previsto antes de o edital sair. Por isso eu repito sempre:

É impossível você tomar um calote de um contrato que percorreu esse caminho todo.

O caminho todo é: edital, disputa, homologação, publicação, contrato e empenho. Quando algum passo desse é pulado, aí o risco aparece.

E quase sempre o passo pulado é o último. Quando eu escuto "a prefeitura tal deu calote", eu vou investigar e em praticamente todos os casos a empresa entregou o produto ou começou o serviço sem o empenho em mãos. Em município pequeno isso é comum: o servidor liga, fala "pode mandar", a pessoa manda confiando no WhatsApp e depois não tem como cobrar.

Então a regra de ouro é essa:

A gente só vai gastar alguma coisa quando receber o empenho. E não quando ganhar a licitação.

Ganhou? Ótimo. Espera o empenho. Um aluno de manutenção predial ganhou um pregão de R$ 97 mil pra pintar um prédio e me perguntou se já podia começar a obra. A resposta foi não: primeiro o empenho ou a autorização formal. Com ela na mão, aí sim.

Quanto tempo o governo leva pra pagar

Agora vamos aos prazos, que é o que todo mundo quer saber.

  • Assinatura e empenho: depois que o processo é homologado e publicado, geralmente você tem uns 5 dias úteis pra assinar o contrato e receber o empenho.
  • Entrega: o edital diz. É comum ver de 2 a 30 dias, contados do empenho.
  • Pagamento: a lei fala em até 30 dias depois da nota fiscal. Na prática, a média que eu vejo fica entre 10 e 15 dias. O Exército, por exemplo, é ótimo pagador.
  • Sempre à vista e em conta. O governo não parcela, não passa cartão, não paga em cheque. É crédito na conta.

Num exemplo que eu mostrei numa aula, com tudo somado (homologação, contrato, empenho, prazo de entrega, nota fiscal e pagamento), o ciclo inteiro ficou perto de 60 dias do resultado da disputa até o dinheiro na conta. Então planeja o seu caixa pensando nisso.

Se o serviço é contínuo, mensal, a lógica é outra: você trabalha o mês, no dia primeiro emite a nota referente ao mês anterior, entrega pro órgão e recebe por aquele mês. E assim sucessivamente.

Um cuidado com a virada do ano: os sistemas mudam e pode atrasar. Em dezembro, muitos órgãos antecipam o pagamento de novembro e dezembro pra metade do mês.

Atraso não é calote

Atraso existe. Calote é outra coisa. Eu mesmo já fiquei 7 meses sem receber do meu contrato com o Corpo de Bombeiros de Alagoas, porque o órgão passou por uma auditoria federal. Quando terminou, recebi tudo de uma vez, retroativo.

O que a lei te dá quando atrasa:

  • Passou de 60 dias de atraso, você pode suspender o fornecimento.
  • Se quiser, pode rescindir o contrato sem multa.
  • O caminho é formal: notifica o órgão por escrito e, se não resolver, aciona o Tribunal de Contas. Quando o gestor sabe que o Tribunal vai olhar, o pagamento costuma sair rápido.

E antes de entrar, dá pra olhar a saúde financeira de quem vai te pagar. Procura CAPAG no site do Tesouro Transparente e veja a nota da cidade ou do estado. É o "Serasa do setor público": nota A e B, pode ir sem medo. C é ponto de atenção. D, melhor evitar.

O empenho também vale dinheiro antes da entrega

Tem uma ferramenta que pouca gente conhece: o AntecipaGov. Com o empenho na mão, ele antecipa até 70% do valor, com juros. É por empenho: cada licitação que você ganha gera um empenho, e cada empenho pode ser antecipado.

Exemplo: você ganhou uma venda de R$ 30 mil. Dá pra antecipar até uns R$ 21 mil, com juros, comprar o produto e entregar. O AntecipaGov começou pelos órgãos federais. Antes de contar com ele, confira se o órgão que comprou de você participa.

Isso mostra o quanto esse pagamento é certo. O próprio governo empresta em cima dele.

Na ata de registro de preços a lógica é a mesma: a ata não obriga o órgão a comprar nada. Mas quando ele decide comprar, ele te liga, manda o empenho e fala "quero agora três ar-condicionados". Aí sim a obrigação nasce, pros dois lados.

Erros comuns com o empenho

  1. Entregar com um "pode mandar". Sem empenho, sem entrega. Se o órgão não mandou o empenho, você não tem obrigação nenhuma de fornecer.
  2. Contar o prazo errado. O prazo de entrega começa no empenho. Se você acha que começou na assinatura, vai se apertar à toa.
  3. Não conferir o que está escrito nele. Um aluno recebeu um empenho pedindo um fogão com forno, e o forno não estava no termo de referência. O certo é pedir a retificação e faturar pelo que está no termo de referência. O empenho é a autorização de pagamento, a regra da compra é o edital.
  4. Emitir nota fiscal antes do atesto do fiscal. O órgão precisa receber e atestar a entrega. Nota antes disso pode dar dor de cabeça e até imposto em dobro.
  5. Deixar certidão vencer durante o contrato. Produto entregue, atestado e o pagamento trava porque uma certidão venceu. Mantém tudo atualizado todo mês.
  6. Não guardar prova. Foto da entrega, e-mail, canhoto assinado. Guarda tudo.

Quem cuida disso desde o começo quase nunca tem problema. A maior parte dessas situações eu detalho quando falo de gestão de contratos públicos.

Sua tarefa de hoje

Entra no Tesouro Transparente, procura CAPAG e veja a nota da sua cidade e das cidades vizinhas. Anota quais são A ou B. Essas são as primeiras portas pra você bater. E se você ainda não disputou nada, comece pela dispensa eletrônica: o processo leva dias, não meses.

Perguntas frequentes

O que é nota de empenho?

É o documento que o órgão público emite depois da contratação mostrando que o dinheiro do seu pagamento está reservado. Ele chega normalmente por e-mail, em PDF, e é a sua garantia de recebimento.

Posso entregar o produto antes de receber o empenho?

Não deve. Sem empenho você não tem garantia nenhuma de receber, e quase todo caso de "calote" que eu conheço começou assim. O prazo de entrega só conta a partir do empenho.

Quanto tempo o governo demora pra pagar?

A lei fala em até 30 dias depois da nota fiscal. Na prática, a média fica entre 10 e 15 dias, sempre à vista e em conta.

O governo pode atrasar o pagamento?

Pode. Atraso existe, calote é raro quando o contrato seguiu o caminho certo. Passou de 60 dias, a lei deixa você suspender o fornecimento e até rescindir sem multa.

Dá pra antecipar o valor do empenho?

Dá. O AntecipaGov antecipa até 70% do valor do empenho, com juros. Serve pra quem ainda não tem caixa pra comprar antes de receber.

Próximo passo
Quer ver isso aplicado no seu negócio?

Na reunião ao vivo e gratuita eu junto tudo num passo a passo: onde estão as compras que quase ninguém disputa, o que o governo exige e como fazer a primeira proposta. Me chama pra saber quando é a próxima.

Quero participar da próxima reunião
Geraldo Junior
Geraldo Junior

Vende para o governo desde 2014. O primeiro contrato foi aluguel de carros pro Corpo de Bombeiros de Alagoas, renovado por 10 anos. Hoje ensina pequenas empresas e MEIs a vender para prefeituras, estados e órgãos federais no L360.